quinta-feira, fevereiro 01, 2007

FIM

O Exilio de Andarilho terminou. Mudámo-nos para Além do Bojador num projecto colectivo a seis mãos e a várias geografias. O estilo é diferente e a focagem mais diversa. Obrigado aos que nos visitaram nestes doze meses e contribuiram para que fosse possível.

segunda-feira, outubro 30, 2006

Exilio de Andarilho - 1 ano de idade

O Exilio começou precisamente há 1 ano na blogosfera como espaço dedicado à monitoragem da actualidade internacional e ao comentário da política como exercício de cidadania.
Durante mais de 700 posts tangenciámos o que se passou de importante na esfera pública. Tentámos vislumbrar os sinais de mudança mas também de catarse.
Reflexionámos a condição de ser-se português. Em Portugal, mas também fora dele. Denunciámos o que achámos mal, enaltecemos o que achámos bem.
Recomendámos o que de significativo se publica, com interesse, na literatura, na música (tanto popular como clássica), no ensaio.
Debatemos a relação entre o divinio e o profano, i.e., entre a religião e a polis.
Valerá a pena continuarmos?

O Exílio de Andarilho entra em período de reflexão.

sábado, outubro 28, 2006

Pinochet sob prisão - Deus não dorme embora às vezes pareça.

O juiz Alejandro Solís processou hoje o antigo ditador chileno Augusto Pinochet como autor de sequestros (desaparecimentos) e torturas cometidas no centro de detenção clandestino de Villa Grimaldi, informaram fontes judiciais.
Além disso, o juiz ordenou que a partir de segunda-feira, dia em que será notificado, o general terá de permanecer
detido em prisão domiciliária na sua casa do bairro de La Dehesa, em Santiago do Chile.(...) Considerando que o militar de 90 anos não perdeu o uso da razão, o magistrado acusou-o de 36 sequestros qualificados (desaparecimentos) e 23 delitos de tortura cometidos nesse antigo centro de detenção clandestino durante a ditadura militar chilena (1973-1990).
Pela Villa Grimaldi, ou Quartel Terranova como lhe chamava a polícia política chilena da ditadura (DINA), passaram, segundo dados oficiais, cerca de 5.000 opositores do regime, todos eles torturados, sendo que 226 desapareceram - acredita-se que estejam mortos, mas não se sabe como, nem os corpos foram encontrados..

Brasil vai a votos

Brasil vai a votos. Com a guinada à esquerda de Lula da Silva o candidato do PT burlão deve ter assegurado a vitória por margem folgada de votos. O populismo e a demagogia basista continua a render num país que apesar as suas enormes potencialidades não consegue libertar-se do terceiro-mundismo, das traficâncias na política e de uma estrondoso colapso do sistema de justiça. O Brasil - acho - tem pouco que se congratular coma vitória de Lula. Teremos mais quatro anos, com mais do mesmo: pilantragem.

sexta-feira, outubro 27, 2006

Fazer Anos

Segunda-Feira, dia 30, o Exílio de Andarilho, faz exactamente 1 ano de vida.
Durante muitas semanas e muitos posts (creio que perto de 700) segui o que achei que valia a pena acompanhar, deixando lembretes (era o que havia antes dos post-it) sobre factos da vida internacional e (também) da vida nacional que me chamavam a atenção e que achei que devia partilhar. Várias vezes me perguntei se valeria a pena. Se "interessariam" aos que estão do outro lado.

É difícil estar longe da pátria. Apesar de tudo. Gostaríamos de ter - às vezes - um brinquinho do que há (ainda) de bom aí. Mas não o temos. A pequenez de algumas notícias e preocupações é traumático para quem vive expatriado. Percebo que se lhe ligue, que ecoe até à exaustão nos noticiários, que as pessoas se incomodem com eles. Afinal têm que ter válvulas de escape.

Mas vejo-me algumas vezes a recuar no tempo - e a lembrar as conversas que ouvia na infância, na adolescência dos que me eram queridos. Afinal, na maneira de estar, na natureza das questões não há muito que tenha mudado na condição de ser-se português desde que Salazar caiu da cadeira e Caetano nos embalava nas "conversas em família" na RTP a preto e branco. A (s) mesmas(s) lamechice, inveja, queixume, maledicência enchem vidas vazias e tornam-se o centro das atenções. Antigamente era-o porque a comunicação era entrópica, circunscrita ao círculo dos mais chegados; hoje é-o ampliada mil vezes pelos meios de comunicação de massa, como uma obsessão orweliana. Se alguém pudesse distanciar-se do real um minuto e olhar para as histórias que enchem os jornais chegaria, rapidamente, à conclusão que este mundo e estas pessoas não estão bem. Mesmo nada bem.

É difícil ser-se português. Um dos 10 milhões que escolheram viver fora
.

Vasculho II

Vasculho alguns links (coluna à direita) e verifico que alguns já se foram. Que pena. Mas outros juntam-se. Registo dois novos blogs que passei a visitar: Sexta Coluna e 5 Dias.
Às tripulações parabéns e palavras de (muito) incentivo.
Nem sempre é multiplicado o esforço que aqui se faz de comentário, seriação e indigação.
É cada vez mais um exercício solitário, autoreflexivo e por isso dorido. É mais fácil falar-se de futebol, ou do absurdo,

Vasculho I

Não me recorda em que contexto ouvi primeiro esta expressão. Sou do tempo em Lisboa aquando do começo da primavera a mãe chamava o homem para limpar a chaminë. Parece que o longo varapau com vassoura na ponta se chamava vasculho.

Deformação profissional

Constato que porventura por deformação profissional persisto em ser exaustivo nos post que acrescento. Gosto de dar todas as permissas. Mas olhando para outros parece que fará parte da linguagem comunicacional um instante de "mas o que é que ele quer dizer?"

Entre os Rios: a ingenuidade dos portugueses

Lido na TSF on line:

As famílias das vítimas da queda da ponte de Entre-os-Rios vão apresentar uma queixa-crime contra o Estado e pedem ao anigo ministro do Equipamento Social, Jorge Coelho, que revele «tudo o que sabe» sobre este processo.

O antigo ministro do Equipamento Social, Jorge Coelho, que se demitiu na noite da tragédia, lamentou na quarta-feira, na SIC Notícias, no programa «Quadratura do Ciclo», que «a culpa mais uma vez morra solteira» depois dos seis arguidos levados a julgamento no processo da queda da ponte de Entre-os-Rios terem sido absolvidos. Horácio Moreira, da Associação dos Familiares das Vítimas, desafia agora Jorge Coelho a revelar tudo o que sabe. «Quando disse a primeira frase toda a gente percebeu que saberia alguma coisa. Estes factos parece que em tribunal nunca chegaram a ser esclarecidos por ninguém», afirmou. «Recordo que morreram 59 pessoas, o tribunal chegou à conclusão de que não havia regras técnicas que os engenheiros pudessem seguir, não havia regras escritas, o lapso que se deu em Entre-os-Rios pode acontecer em qualquer outra ponte do país. Será que é isto que os portugueses querem?», prosseguiu. As famílias das vítimas da queda da ponte de Entre-os-Rios pedem ajuda a Jorge Coelho para levar este caso mais uma vez a julgamento.

X--X--X

Uma das ingenuidades que caracterizam a personalidade do português - em termos sociológicos - é a crença que há certas personalidades públicas cuja bondade, simpatia ou o proselitismo os pode ajudar a libertar dos seus fantasmas, culpas e preocupações. É impossível compreender o sebastianismo, e o lastro popular do salazarismo, durante parte significativa da ditadura, sem entender o voluntarismo empático, muitas vezes irracionalizado e, quase sempre, infundamentado do povo português.

O antigo ministro e responsável político do PS é um destes casos. Alguém que veio do aparelho do partido e soube, com enorme, engenho singrar ao lado de todos os dirigentes socialistas pós-Mário Soares, tornando-se "o" homem influente, o verdadeiro Metternicht dos vários governos socialistas. A capacidade de manobrismo do Dr. Coelho é tão lendária quanto a sua frontalidade, ou o seu bonacheirismo a lembrar de certa forma o Dr Soares.

O Dr Coelho é, por isso, incólume à crítica, à censura pública, à imputação de responsabilidades pelos actos políticos que produzem efeitos lesivos dos interesses dos cidadãos. É uma qualidade que lhe é coureácia. Depois, gosta imenso de "jogar" naquele jogo de insinuações encapotadas que descobre o suficiente para se perceber que há "gato", sem se poder provar que o há. E mesmo quando brinca com a sorte dos outrosm, as pessoas não lhe levam a mal. Há gente predestinada, assim, na política portuguesa. Uns poucos, nem uma mão cheia.

Claramente - ao contrário do que imaginam as famílias das vítimas de Entre os Rios - o Dr. Coelho não tem costela de bom samaritano. E quando fala (e parte a loiça, como os jornalistas gostam de o referenciar) fá-lo de forma rigorosa, calculista, premeditada. Diz apenas o que quer dizer, deixa cair o suficiente para se manter à tona e ser referenciado como "oppinion maker". Alguém (como o Dr. Vitorino) que paira sobre a política sem (agora) chafurdar nela. Mantendo as connections, gerindo as relações e as alianças (secretas) mas não se enterrando....no atoleiro.

Neste processo - como aqui disse - resta às famílias apenas um caminho processar o Estado português e fazê-lo nas instâncias internacionais. O Dr Coelho é um good fellow mas pouco mais que isso.

quinta-feira, outubro 26, 2006

SALVEM DARFUR

quarta-feira, outubro 25, 2006

Justiça e vácuo

Lido na imprensa:

O Tribunal de Castelo de Paiva absolveu hoje os seis engenheiros acusados pelo Ministério Público de não terem feito o que estaria o seu alcance para evitar o colapso da ponte de Entre-os-Rios. Ninguém fica assim responsabilizado criminalmente pelo acidente que resultou na morte de 59 pessoas que seguiam num autocarro e em três automóveis.
A sentença do Colectivo de Juízes, presidido por Teresa Silva, concluiu que "os arguidos não praticaram os crimes de que vinham sendo acusados, impondo-se a sua absolvição".

Não é um problema de arranjar bodes-expiatórios para uma tragédia que teve responsabilidade(s) humana(s). A prova faz-se (ou não) em tribunal. Mas há neste megaprocesso um gosto amargo, muito amargo de impunidade e de irresponsabilidade do Estado e dos seus agentes. Seja qual for a indeterminação da responsabilidade e o nexo das culpas não faz qualquer sentido deixar todas as causas das mortes "no ar". O tribunal não julga no vácuo, toma decisões contextualizadas, o que significa que não se pode reduzir à lógica mecanicista da aplicação da lei ao caso, sem mais. Não sei, sinceramente, como as famílias vão reagir mas no lugar delas pensava em processar o Estado num outro plano, o internacional.

O Cosmos: duas imagens de Marte


Uma Ciência sem Deus; ou apesar de Deus?

É possivel uma Ciência sem Deus, ou uma Ciência apesar de Deus?
O tema é provocatório - à luz do excelente (mas aberto à controvérsia) "Faith, Reason and the University. Memories and Reflections", a lição magistral dada pelo Papa na Universidade de Regensburg - mas traça algumas pistas de reflexão sobre a relação (muito tensa) entre Ciência e Religião no século XXI. Qual a origem da vida? Qual o papel do Homem no mundo e no cosmos? Qual a finalidade da acção do Homem? Até que ponto o progresso científico deve depender de contrições e juízos morais? Qual o papel do Estado, enquanto titular dos poderes soberanos, na delimitação de fronteiras entre o mundo dos homens e o mundo da crença? As perguntas são imemoriais (datam de Platão e Aristóteles e estão abertas ao contraditório).
A qualidade dos testemunhos é "self-evident" - uma das personalidades mais importantes do liberalismo americano, Ronald Dworkin e também Danis Rose. O local: New York Review of Books. O pretexto: a actualidade do pensamento de Darwin. Aqui.

Sobre o Irão

Uma recensão inteligente de dois livros oportunos:
  • Confronting Iran: The Failure of American Foreign Policy and the next Great Crisis in the Middle East, Ali M. Ansari, Basic Books
  • Hidden Iran: Paradox and Power in the Islamic Republic, Ray Takeyh, Times Books.

Análise de Christopher de Bellaigue para a New York Review of Books, aqui.

Club Nuclear: os próximos candidatos (malquistos)


Um dossier oportuno da revista Foreign Policy. Segundo a legenda o programa não-militar de produção de energia nuclear pode produzir bombas nucleares dentro de meses. Na peugada estão o Irão, Taiwan, Síria e Coreia do Sul.

terça-feira, outubro 24, 2006

Jan Pronk

Mr. Pronk, a blunt-spoken former Dutch cabinet minister, has been outspoken in reporting on the killings, rapes and other atrocities in Darfur, the region in the western part of the country where at least 200,000 people have died and 2.5 million have been driven from their homes. (Comentário do New York Times)

Faz-nos falta gente desta têmpera nas OIs e na vida pública. Gente que não tem medo, que faz o que é justo e defende a verdade, custe o que custar. Chamar-lhe-ão D. Quixote mas não será, seguramente, por causa dos moinhos de vento.
Se as Nações Unidas tivessem tido o bom-senso de indicar alguém com esta têmpera para fiscalizar as armas de destruição maciça do Iraque de Saddam - que não o arlequim do Blitz - não estávamos, agora, nesta baralhada. Tenho um "feeling" que este dossier vai entrar em "aguas mornas". Os Estados Unidos têm mais que fazer (Afeganistão e Iraque) do que se meterem neste atoleiro de negociantes e bandidos. Alguém vai carprir (adiante) que deveria ter feito isto e aquilo. E ao que parece o dito Blitz vai aparecer - não posso pronunciar a palavra - para fazer trampa no Irão.

A banalidade do mal

Evelyn Hockstein for The New York Times

As one of the world’s worst atrocities unfolds in Darfur, some 600 miles to the west, young women enjoy the good life at the Ozone Café in Khartoum, including ice cream and outdoor air-conditioning (comentário do New York Times)

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